- Alexandre Hohagen | Valor Econômico

Por uma convivência mais produtiva nas empresas

O tempo de achar que o escritório é um lugar onde as pessoas vão somente para trabalhar já passou. É impossível negar que, independentemente do tamanho, as empresas são comunidades formadas por pessoas de todos os tipos, culturas e experiências. Um ecossistema dinâmico, no qual o desempenho de cada um gira a engrenagem capaz de levar a companhia ao seu objetivo de negócio, ou não. A cultura corporativa vem mudando e, com ela, a forma como o ambiente de trabalho é encarado. Paulatinamente, os escritórios vêm deixando de ser espaços herméticos, para o qual as pessoas vão exercer suas atividades diárias, para se tornarem espaços de convivência importantes. Afinal, em grande parte das vezes, passamos mais tempo útil dentro dele do que fora.

Quem não é feliz no trabalho, dificilmente o será fora dele simplesmente pelo fato de ser uma parte muito importante das nossas vidas. Não preciso resgatar aqui as inúmeras pesquisas sobre a relação satisfação vs. produtividade de colaboradores. Entender e valorizar isso pode ser determinante não só para a tão discutida retenção de talentos, mas também para o desempenho e o sucesso da empresa.

É inegável a influência que as companhias de tecnologia têm exercido nesse cenário e como vêm moldando o futuro empresarial em termos de ambiente e opções de carreira. Não à toa estão entre as empresas nas quais as pessoas sonham em trabalhar em diferentes rankings ao redor do mundo. Mais do que um espaço descontraído, com alguns “luxos” – coloco a palavra “luxos” entre aspas uma vez que só são considerados “luxos” em comparação ao que se é oferecido aos funcionários em ambientes mais convencionais -, as empresas de tecnologia oferecem autonomia e incentivo para o desenvolvimento de ideias capazes de realmente fazer a diferença para a empresa e muitas vezes para o mundo, independentemente de cargos.

É o conjunto de valores que realmente destaca essas companhias. Logo que entrei no Facebook, uma das primeiras coisas que me disseram é que a empresa não tem regras, mas sim valores, e com o tempo notei que isso não foi dito da boca para fora. A valorização das pessoas – funcionários e usuários -, o fomento à inovação, correr atrás de novas formas de resolver problemas antigos, a contínua busca pelo aprimoramento, abertura para erros e recomeços, a rapidez. Todas essas premissas, se você parar para pensar, foram transportadas da tecnologia para a cultura corporativa.

É neste sentido que tenho notado um movimento não só de construção de um ambiente no qual as pessoas se sintam à vontade para se desenvolver, mas também de empregar as premissas já tão estabelecidas no Vale do Silício. São elas: estimular o time da a criar coisas que efetivamente façam a diferença em uma série de mercados diferentes, incluindo alguns considerados mais tradicionais, como as consultorias.

Somado a tudo isso, como falei, são as opções de carreira. É muito interessante fazer o exercício de perguntar às pessoas dentro de empresas de tecnologia qual é a formação delas e em qual área estão atuando. Você encontrará economistas na área de vendas, engenheiros em marketing, psicólogos em treinamentos de tecnologia e assim por diante. É nesse ponto que a atenção deve ser dada à habilidade das pessoas, e não necessariamente ao histórico acadêmico ou profissional. Isso dá a eles flexibilidade e estímulo muito grandes.

Enganam-se, portanto, aqueles que se deixam influenciar pelo ambiente descontraído. Trabalhar em empresas de tecnologia, assim como as demais que estão seguindo seus passos em termos de espaço e valores, não é brincadeira.